Todo médico que pensa em anunciar chega à mesma pergunta: posso colocar o valor da consulta? Pode. Desde março de 2024, a Resolução CFM 2.336/2023 autoriza informar preço e formas de pagamento. O problema é o resto da regra. Pouca gente lê a resolução inteira.
É aà que a escolha de uma agência de tráfego pago para médicos pesa. Quem monta o anúncio precisa conhecer a resolução tão bem quanto conhece o Google Ads. Afinal, a peça leva o seu CRM. Um texto mal escrito vira problema no conselho, não na agência.
Este guia resume o que o CFM permite, o que segue proibido e o que cobrar de quem vai cuidar das suas campanhas. Não substitui a orientação do seu CRM.
O que muda quando quem anuncia é o consultório
ClÃnica com vários profissionais vende estrutura, convênios e especialidades somadas, e esse caso já está no texto sobre tráfego pago para clÃnicas. No consultório, o anúncio é você. Ele mostra a sua especialidade, a sua agenda e o valor da sua consulta.
A responsabilidade também muda de mão. Pelo artigo 3º da resolução, o médico responde pessoalmente pelo que divulga como pessoa fÃsica. Na clÃnica, responde o diretor técnico.
A disputa é mais estreita. O paciente procura a especialidade perto de casa, como dermatologista mais o nome do bairro. Por isso a campanha de consultório costuma começar pela Rede de Pesquisa, com raio curto em volta do endereço. Vale também aparecer no Google Maps.
Porto Alegre tinha 16.406 médicos registrados em 2024, ou 11,81 por mil habitantes, segundo o estudo Demografia Médica no Brasil 2025. Entre as capitais, fica atrás só de Vitória, com 18,52. Numa cidade assim, anúncio genérico some no leilão.

O que a Resolução CFM 2.336 liberou, inclusive o preço
O texto da Resolução CFM 2.336/2023 mudou o que o anúncio médico pode dizer, e o básico já aparece no guia sobre o que a CFM 2.336 mudou para clÃnicas de estética. Aqui vão os incisos que importam.
O artigo 9º, inciso VI, permite informar valores de consultas, meios e formas de pagamento. O inciso VII deixa dizer que o valor de procedimento particular pode ser combinado antes do atendimento. Já o inciso VIII libera descontos em campanha promocional. Venda casada segue proibida.
A identificação é obrigatória em qualquer peça, pelo artigo 4º. Precisa aparecer o nome, o número do CRM acompanhado da palavra MÉDICO e, quando houver, a especialidade com o RQE, o Registro de Qualificação de Especialista. Em rede social, esses dados ficam na página principal do perfil.
Quem tem pós-graduação cadastrada no CRM, mas não tem tÃtulo de especialista, pode citá-la. A forma é fixa. Escreve-se médico com pós-graduação na área, seguido de NÃO ESPECIALISTA, em caixa alta. Agência que escreve "especialista em" para esse médico coloca o registro dele em risco.
O que continua proibido no anúncio médico
A lista de vetos do artigo 11 é longa. Três deles pegam campanha com frequência. O primeiro é garantir, prometer ou insinuar bom resultado de tratamento. O segundo é o tom sensacionalista ou autopromocional, como apresentar uma técnica comum como se só você a dominasse.
O terceiro surpreende quem vem do comércio. A resolução trata como concorrência desleal anunciar atendimento gratuito em consultório privado. Promoção casada também fica de fora. A exposição de motivos da norma cita "faça a consulta e ganhe o exame" como exemplo do que não pode.
Preço de procedimento pede cuidado. A mesma exposição de motivos só autoriza anunciar valor de procedimento e exame quando eles não dependem de diagnóstico e avaliação prévia. Cirurgia com preço fechado no anúncio, antes de ver o paciente, contraria essa lógica.
Antes e depois confunde muita gente. O CFM admite a imagem só com finalidade educativa. Ela precisa vir em conjunto com evoluções boas, ruins e complicações, com texto explicativo, sem edição e sem identificar o paciente. A Meta, na polÃtica de saúde e bem-estar consultada em setembro de 2026, aceita antes e depois de procedimento estético em anúncio para maiores de 18 anos. Frase que ataque a aparência é vetada. No anúncio pago, vale a regra mais restritiva. Aqui, é a do conselho.
Preço no anúncio ajuda ou atrapalha
Poder mostrar não obriga a mostrar. O valor da consulta no anúncio funciona como filtro, porque quem clica já sabe quanto custa e chega à conversa sem susto. Chegam menos contatos, e melhores.
Consultório só particular ganha mais com o preço no anúncio, porque quem procura convênio desiste antes de ocupar a recepção. Quem atende particular e convênio pode anunciar os planos aceitos, o que o inciso V do artigo 9º também permite, e deixar o valor para a página.
Há ainda o meio-termo. O preço fica fora do anúncio e aparece na página de destino, que explica o que a consulta inclui e como pagar. Se o contato chega pelo celular, organize o agendamento pelo WhatsApp com uma resposta pronta para a pergunta do preço.
Mostrar ou esconder o valor pouco altera o orçamento mensal dos anúncios. O que essa decisão mexe é na parte dos contatos que termina com o paciente sentado no consultório.

Inteligência artificial, dados de saúde e o que exigir da agência
Em setembro veio um alerta do governo. No dia 4 de setembro de 2026, a Advocacia-Geral da União notificou o YouTube, do Google, para remover ou rotular vÃdeos que usam inteligência artificial para simular médicos. Segundo o Ministério da Saúde, a análise cobriu 97 perfis entre 1º de janeiro e 10 de julho de 2026. Agência que sugere um médico criado por IA para estrelar o anúncio propõe algo parecido.
Dado de saúde é outro limite. A campanha não deve mirar pessoas por doença, nem escrever como se soubesse o diagnóstico de quem vê, ponto que as regras da Meta para anúncios de saúde detalham. A ANPD pôs no mapa de fiscalização de 2026 e 2027 o uso secundário de dados pessoais para publicidade direcionada e o tratamento de dados de saúde.
Peça três compromissos por escrito. Cada texto e cada imagem revisados contra a resolução, com a sua aprovação antes de publicar. A conta de anúncios aberta no seu nome, para o histórico ficar com o consultório se a agência mudar. E um relatório que mostra consultas marcadas, não só cliques.

Perguntas frequentes
Médico pode divulgar o valor da consulta no anúncio? Pode. A Resolução CFM 2.336/2023, em vigor desde março de 2024, permite informar valores de consultas, meios e formas de pagamento. O anúncio continua sujeito às outras regras, como a identificação completa e a proibição de prometer resultado.
O que precisa aparecer num anúncio médico? Nome do médico, número do CRM com a palavra MÉDICO e, quando houver tÃtulo registrado, a especialidade com o número do RQE. Pós-graduação sem tÃtulo de especialista vem seguida de NÃO ESPECIALISTA, em caixa alta.
Médico pode dar desconto no anúncio? Pode, em campanha promocional. A regra está no artigo 9º, inciso VIII. O desconto não pode vir amarrado a outra compra, como ganhar um exame ao marcar a consulta.
Posso usar foto de antes e depois? O CFM admite só com finalidade educativa, com evoluções boas, ruins e complicações, sem edição e sem identificar o paciente. As plataformas têm regras próprias. No anúncio pago, siga a mais restritiva e confira a polÃtica vigente antes de publicar.
A agência pode fazer vÃdeo com médico gerado por IA? Não é recomendável. Um avatar que se passa por médico pode configurar propaganda enganosa, vetada pelo artigo 11 da resolução, e não cumpre a identificação obrigatória com nome e CRM.
A VTP atende consultórios e clÃnicas? Sim. ClÃnicas e saúde estão entre os segmentos da VTP, com campanhas no Google Ads e na Meta, no Instagram e no Facebook.
Anúncio de consultório com a VTP
A VTP é Google Partner, fica em Porto Alegre e cuida de clÃnicas e consultórios com Google Ads e Meta Ads. Um sistema próprio de inteligência artificial acompanha as campanhas. Veja como a plataforma funciona. A conta de anúncios fica no seu nome, e não há fidelidade: a saÃda pede aviso de 30 dias. Se quer anunciar o consultório dentro da Resolução CFM 2.336, comece por uma conversa sobre a gestão de Google Ads para consultórios.
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Falar com um EstrategistaVeja também: gestão de Google Ads em Porto Alegre · Meta Ads em Porto Alegre · consultoria de tráfego pago