Contratar uma agência de tráfego pago para advogados parece igual a contratar para qualquer outro negócio. A diferença aparece na primeira proposta. O texto do anúncio vem com "primeira consulta gratuita", e a apresentação promete um número fechado de clientes por mês. Quem assina aquela peça é o escritório. Quem responde na OAB também.
O Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB permite anunciar, mas com filtros que muita agência não conhece de cor. Este guia é para antes da assinatura. Ele mostra o que exigir, o que recusar e como saber se a campanha trouxe consulta de verdade.
Por que escritório não contrata agência como qualquer empresa
Em outro setor, a agência testa preço, promoção, depoimento e oferta até descobrir o que vende. Na advocacia, esses caminhos estão fechados. O artigo 3º do Provimento 205/2021 veda referência a honorários, forma de pagamento, gratuidade ou desconto para captar clientes. O artigo 6º proíbe promessa de resultado e uso de caso concreto para oferecer serviço.
A profissão também é concorrida. Pelo quadro de inscritos do Conselho Federal da OAB, o Rio Grande do Sul tinha perto de 102 mil advogados inscritos em 15 de setembro de 2026. Estagiários e suplementares ficam fora dessa conta. Com todos sob as mesmas regras, o que separa um anúncio do outro é a área certa e o texto bem revisado.
Resumida por canal, a regra do Anexo Único do Provimento cabe em três linhas:
- Google: comprar palavra-chave é permitido quando o anúncio responde a uma busca iniciada pelo próprio cliente.
- Instagram e Facebook: patrocinar publicação é permitido, desde que o conteúdo não seja oferta de serviços jurídicos.
- YouTube: vídeos e lives são permitidos dentro do Código de Ética, mas anúncio ostensivo em vídeo é proibido.
O detalhe da busca está no guia sobre o que a OAB permite no Google Ads. Se a regra da plataforma e a da OAB divergirem, vale a mais restritiva. E nada aqui substitui a orientação da própria OAB.
O que a agência não deve oferecer ao escritório
Algumas ideias soam boas na reunião e viram dor de cabeça no Tribunal de Ética. Desconfie de quem sugere frases como "ganhe sua causa" ou "receba o que é seu". O mesmo vale para consulta gratuita usada como isca e para depoimento de cliente contando como terminou o processo. Tudo isso esbarra nas vedações que você acabou de ver.
O disparo em massa no WhatsApp é outro atalho perigoso. O Anexo Único proíbe mala direta para uma coletividade e só admite grupos de WhatsApp formados por pessoas das relações do advogado ou do escritório. Lista comprada fica fora. Quando o contato nasce do anúncio, o caminho é o atendimento pelo WhatsApp sem disparo em massa, respondendo a quem chamou.
Robô também pede cuidado. O Provimento aceita chatbot para tirar as primeiras dúvidas e coletar documentos. Não admite aplicativo que responda consultas jurídicas de forma automática e indiscriminada a quem ainda não é cliente.
Por fim, fuja de promessa de número de clientes. Nenhuma campanha controla quem decide contratar. Quem garante quantidade fechada vende o que não entrega.

O que só vale perguntar a quem vai cuidar de escritório
Toda agência deveria responder sobre verba, relatório e acesso. Para advocacia, a lista cresce.
Pergunte quem revisa cada texto antes de subir. O Provimento põe a responsabilidade nas pessoas identificadas no anúncio e, na sociedade, nos sócios administradores. A resposta certa é um fluxo em que o advogado aprova título, descrição e página antes da publicação.
Pergunte como o nome e o número da OAB vão aparecer. O artigo 44 do Código de Ética e Disciplina da OAB, na redação atual, pede nome, ou nome da sociedade, e número de inscrição na publicidade profissional. Isso precisa estar previsto no anúncio e na página que recebe o clique.
Pergunte se a palavra "especialista" vai entrar. O mesmo artigo 3º do Provimento só permite anunciar especialidade a quem tem título na área ou notória especialização.
Pergunte quais buscas serão bloqueadas. Direito atrai muita pesquisa de quem não quer contratar ninguém. Termos como vaga, estágio, concurso e curso precisam entrar como negativos antes de a campanha ligar, ou a verba paga clique de estudante.
Pergunte no nome de quem fica a conta. A resposta tem de ser o escritório, e o motivo está explicado no texto sobre de quem deve ser a conta de anúncios. Pergunte, por último, como você vai acompanhar sem pedir print. Um painel do cliente com relatórios automáticos poupa o sócio de esperar a planilha do fim do mês.

Áreas com mais busca pedem campanhas separadas
Trabalhista, previdenciário, família e consumidor aparecem muito nas pesquisas, mas cada área tem outro cliente e outra urgência. Tráfego pago para advogados trabalhistas e para advogados previdenciários parece a mesma coisa no papel. Na prática, mudam as palavras e o jeito de atender.
Juntas numa campanha só, a área com mais cliques consome a verba das outras. Pior: o relatório não mostra qual delas trouxe consulta. Separadas, cada área ganha orçamento, palavras e página próprios, e a decisão de onde investir deixa de ser palpite.
Um exemplo fictício de título dentro da regra: "Advogado previdenciário, aposentadoria e revisão". Ele informa a área e o assunto, sem preço, sem promessa e sem comparação com colegas.
Desconfie de quem chega com custo por clique de advocacia pronto. O valor muda com a concorrência na sua região e com a época do ano. O planejador de palavras-chave dá uma estimativa. O número real só aparece com a campanha no ar. Para ter uma noção de quanto separar por mês para anunciar, comece pela verba e só depois decida quantas áreas cabem nela.

Como medir consulta agendada e não só clique
Quem pergunta se tráfego pago para advogados funciona costuma receber, como resposta, um número de cliques. Clique não é consulta. O que interessa ao escritório é quantas pessoas marcaram horário e quantas eram da área certa.
A medição começa pelos três canais de contato. Ligação feita a partir do anúncio, clique no botão do WhatsApp e formulário enviado precisam ser contados separadamente, por campanha e por área. Sem essa separação, a agência acaba ajustando o que é fácil de medir.
Depois vem a parte que só o escritório tem: a agenda. Uma vez por semana, alguém cruza os contatos da campanha com as consultas marcadas e anota o desfecho: marcou, não era da área ou sumiu. Origem, área e desfecho bastam. O detalhe do caso fica no escritório.
Com esse retorno, a verba vai para a área que traz consulta, e não para a que traz curiosidade. Peça um relatório que mostra consultas, não só cliques. Se a agência nunca pede a sua agenda, pergunte como ela decide onde colocar o dinheiro.
Perguntas frequentes
A agência pode garantir número de clientes? Não. O Provimento 205/2021 veda ao advogado a promessa de resultado, e nenhuma campanha controla quem decide contratar. Uma agência séria mostra como vai medir as consultas marcadas, sem prometer quantidade.
Quem revisa se o anúncio respeita o Provimento 205? O escritório responde pela própria publicidade, porque o Provimento põe a responsabilidade nos advogados identificados e nos sócios administradores. A agência deve mandar cada texto para aprovação do advogado antes de publicar. Este conteúdo não substitui orientação da OAB.
Por que separar campanhas por área do direito? Trabalhista, previdenciário, família e consumidor têm buscas, páginas e agendas diferentes. Com campanhas separadas, fica claro qual área traz consulta marcada e onde vale colocar mais verba.
A VTP atende escritórios de advocacia? Sim. Advocacia está entre os segmentos atendidos pela VTP, com Google Ads e Meta Ads, e a conta de anúncios fica no nome do escritório.
Antes de assinar com qualquer agência
Para escritório, o começo mais seguro costuma ser a busca, porque ali é o cliente quem procura primeiro. Se esse é o seu caso, vale conversar com um estrategista da VTP sobre anúncios na pesquisa do Google montados dentro do Provimento 205. A VTP é Google Partner, mas para um advogado pesa mais outro detalhe: a conta de anúncios fica registrada em nome do próprio escritório. Leve as perguntas deste guia para a reunião e cobre resposta para cada uma.
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